Archive for setembro, 2016

O que lhe impede de brincar com seu filho?

Vanessa Gon

Psicóloga

       A construção de nossos melhores sons, imagens e sensações da infância, advém de momentos valiosos de contato, afeto e do livre brincar. Isso marca nossa história. Daqui vinte anos, como você gostaria que seu filho lembrasse da própria infância? Que papel você gostaria de ocupar em suas memórias?

         Talvez você esteja se questionando que adoraria poder dedicar mais tempo para brincar, dramatizar e jogar com seu pequenino, mas quando fazer isso? Tenho certeza de que sua agenda é muito apertada e já tem que fazer muitos malabarismos para administrar tantas atividades, porém, também sei que quando um compromisso é realmente importante, conseguimos priorizar.

        Aproveite momentos, sejam eles aqueles dez minutinhos após o almoço, no trajeto para casa, à espera de uma consulta médica ou após sua chegada do trabalho.

        Quem sabe você também esteja pensando que a rotina suga tanto suas energias que pouco sobra ânimo para as brincadeiras durante a semana, e evidentemente essa pode ser uma barreira, mas você já pensou em quanto é divertido brincar? Em quantas sensações revigorantes pode ter com pequenos momentos dedicados a isso? Digo isso por conhecimento de causa, pois quando atendo em clínica exclusivamente crianças, consigo abrir minha mente para decisões mais criativas! Vejo a vida de modo mais leve e pouco sobra tempo para o stress e para tensões. Estar com crianças é um constante aprendizado, é uma troca de experiências muito divertida.

        Mas talvez seja este o momento em que você esteja se questionando, qual a necessidade de brincar com meu filho se ele já brinca com os amiguinhos? O período de brincar é sagrado para a criança, pois além de trazer autoconhecimento, amplia aprendizados sobre o espaço e as relações.

        É algo que ultrapassa o campo do lazer e da distração, e quando os pais brincam com os filhos mostram o quanto valorizam essa relação, tornando a comunicação mais fluida e genuína.

       Fico imaginando que alguns pais podem não brincar com os filhos por acreditar que não tem habilidade para isso. Se esta é uma de suas razões, lembre-se que ninguém nasceu sabendo dirigir e você só se torna capaz de fazê-lo cada vez melhor conforme pratica. Brinque naturalmente, à sua maneira!

        Siga o ritmo da criança, deixe ela escolher os brinquedos e brincadeiras, apenas siga o fluxo e perceba o quanto te fará bem e agregará valor até mesmo a sua vida profissional, tornando melhor seu humor e disposição.

        Ok, mas que benefícios que seu filho terá com esses momentos?brincar compõe elementos fundamentais ao desenvolvimento infantil, pois coloca em evidência novas habilidades cognitivas, sociais e motoras.

       Sem contar que a criança pode ser ela mesma, expressar sua criatividade e treinar a tomada de decisões e o respeito às regras e limites, de modo natural, podendo replicar seu uso na convivência com outras pessoas.

         Portanto, arrisque-se! Coloque um pouco mais de brincadeira na rotina de sua família.

Autoconceito, Infância e PNL

Vanessa Gon

Psicóloga

       O autoconceito de uma criança vai sendo construído a partir do que ouve falar sobre ela, da imagem que vê refletida nos olhos dos adultos e pela forma como se sentem sobre si mesmas, e assim, começam a constituir sua identidade.

          Para auxiliar na construção de um conceito de si próprio mais nítido e baseado em dados de realidade, devemos estar atentos acerca da forma como nos comunicamos com a criança, a qual se torna elemento fundamental para a construção de crenças que limitam suas possibilidades e prejudicam seu autoconceito positivo.

      Alguma vez você já acompanhou uma mãe dizer que seu filho “é bagunceiro”? Tal afirmação se refere à identidade desta criança, ao que ela é, sendo assim, fará de tudo para agir desta maneira e provar que sua mãe está certa.

      Partindo dessa concepção, é importante separar o comportamento (o que a criança faz), de sua identidade (quem ela é). Veja como facilitar a construção de um autoconceito positivo agregado a uma necessidade de mudança de comportamento: “Você deixou seus brinquedos bagunçados (ação/ comportamento), se recorda de como fica melhor quando estão organizados? Você deixa tão organizadas suas roupas! Consegue deixar os brinquedos também? Vamos organizar? ”.

   Percebe o quanto a primeira afirmação é diferente da segunda? Na segunda situação, a criança percebe os resultados de suas ações, recebe um comparativo com o melhor que ela pode ser, tem um mapa de como fazer para organizar seus brinquedos, assim como fez com as roupas e ainda tem preservado seu autoconceito e identidade.

      De acordo com a Programação Neurolinguística, nós podemos ajudar crianças a programar a forma com veem o mundo e como se percebem nele.

      Apenas altere seu padrão de comunicação, baseando-se no que objetivamente ocorre e nas evidências existentes, pois você é capaz dizer o que mais lhe agrada nos comportamentos de seu filho, mantendo preservada a imagem positiva de quem ele é.