Archive for the ‘Depressão Infantil’ Category

O que fazer quando a criança não tem amigos?

Vanessa Gon, Psicóloga

 

     Quantos amigos você tem? E olha que não me refiro a quantos contatos você possui em redes sociais, mas sim com quantas pessoas você realmente pode contar, onde o vínculo recíproco de confiança e identificação ultrapassam barreiras da distância e da rotina. A amizade precisa ser cultivada com afeto e carinho, o que só pode ser feito com seu real desejo e intenção, não é mesmo?

    Porém, não importa quão ampliado seja seu círculo de amizades, mas sim, quanto prazer você tem nessa convivência. Deve ser isso que te preocupa ao pensar em seus filhos, quando percebe que não conseguem fazer amigos.

     Quando falamos dos amigos de infância, sempre vinculamos nossas lembranças àquelas pessoas que estavam conosco nas brincadeiras e com as quais compartilhamos momentos divertidos e prazerosos, e até mesmo de cumplicidade quando fazíamos “arte”.

     As crianças têm facilidade em se aproximar umas das outras e isso ocorre naturalmente em decorrência do próprio ato de brincar, porém, umas são diferentes das outras e é importante que os adultos à sua volta observem a natureza e dinâmica desse brincar.

      Quando identificados comportamentos de retraimento, devemos nos apropriar de estratégias para diluir essas situações tanto na escola quanto em casa, criando um clima seguro e acolhedor, onde cada um possa expor suas opiniões e crenças sem julgamento, e aos poucos, a criança vai se sentindo mais confiante.

       Outra forma de auxiliar é conduzir a criança a parques, playgrounds e festinhas, demostrando como ela pode se aproximar de novos amiguinhos, ensinando-a como convidá-los para brincar. Com isso, você a ajuda a criar um modelo mental para se aproximar em ocasiões posteriores. Faça isso de várias maneiras, até que ela se identifique com uma delas.

     Também é possível convidar coleguinhas para frequentar sua casa para momentos de brincadeiras, lanches da tarde, contação de histórias, trabalhosatividades escolares, ajudando-a no processo de aproximação.

      Existem também as crianças que, desde muito cedo, são introspetivas, que demonstram sua criatividade e alegria ficando a maior parte do tempo sozinhas, gostam de se relacionar e brincar mas preferem um tempo maior imersas em seus pensamentos e sentimentos, compreendendo seu mundo e recarregando suas baterias. Elas não resistem a convivência, mas preferem um tempo maior sozinhas e não há problema algum nisso.

      Além das duas situações, temos uma série de outras que interferem na habilidade em relacionar-se apresentada pela criança, uma delas é a fobia social, onde há presença de medo extremo e uma série de reações fisiológicas apenas por pensar em socializar.

      Nesses casos, é fundamental o acompanhamento psicológico, além de ações conjuntas entre a escola e a família, fato também necessário, quando tratamos de situações em que a criança têm demasiada dificuldade em ser empática e de se colocar no lugar do outro, agindo de modo hostil.

     Existem diversas opções para auxiliar crianças no desenvolvimento de habilidades sociais que vão desde processos terapêuticos em grupo, até atividades extracurriculares onde a criança possa brincar, conviver e se expressar da melhor maneira possível. Apenas evite aulas de piano e de natação, visto que estas contam com desempenho individual e há baixa interação social.

    Vale lembrar que sofrer por não conseguir conviver ou pela forma de conviver, não é uma opção favorável ao desenvolvimento infantil e sempre provoca impactos na adolescência e na vida adulta, afinal de contas, existem tantas possibilidades disponíveis, não é mesmo?

Meu filho sofre bullying, e agora?

Vanessa dos Santos Gon

          Caracteriza-se como bullying atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetidas, praticadas por um ou mais indivíduos sem motivo aparente.

          Enquanto psicóloga no serviço público, atendo vítimas de todas as formas de violência há mais de dez anos e, mesmo sendo um tema constante em debates nacionais e internacionais, o bullying continua acontecendo com muita frequência, mas de forma mascarada tanto nas escolas públicas, quanto nas privadas.

      Recordo-me com clareza, de que quando criança, não apenas eu, mas muitos de meus colegas possuíam apelidos nada estimuladores à autoestima, assim como pode ter ocorrido com você ou com alguns de seus colegas de classe da época. Mas será que essa realidade já mudou com o passar dos anos? Não o suficiente, apesar da mudança no cenário legal e das práticas educacionais.

       Pais e familiares, por vezes, nem tomam ciência de que seus pequenos podem estar sofrendo com essas situações, percebem apenas os reflexos nefastos do bullying, como a tristeza, o medo, o desinteresse pela escola, o baixo desempenho, alterações no sono, entre outros.

Mas o que posso fazer para ajudar meu filho?

        Por vezes, a criança já se encontra com traumas emocionais tão profundos, que demandam de um PLANO DE AÇÃO muito EFICAZ nessas situações. Confira algumas dicas que o auxiliarão nesse planejamento:

         Perceber o que está acontecendo na rotina de seu filho é fundamental para valorizá-lo ao máximo.