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Os benefícios da musicalização para crianças com autismo

Vanessa Gon, Psicóloga

   Você já percebeu como a música aproxima as pessoas, desperta expressões espontâneas, sensibiliza e resgata emoções e sensações, além de provocar uma série de registros mentais importantes na vida de cada um de nós? Recorde-se de sua música favoritaa que ela te conecta? E uma música triste, te deixa como? Que músicas que são relaxantes para você?

    A música produz grande impacto em nossas vidas e é uma das poucas atividades que envolve todo o cérebro e coloca em evidência os cinco sentidos, auxiliando na criação de experiências emocionais multissensorais positivas e profundas.

  Enquanto processo complementar ao desenvolvimento de crianças, sob forma de musicalização, os sons extrapolam as barreiras da diversão, pois estimulam a realização do movimento, a organização do pensamento, favorecendo a interação social, sem cobrança alguma sobre desempenho ou rendimento, se torna a expressão natural de cada um, com muito respeitoliberdade.

   Crianças que ocupam o espectro autista, precisam de condições específicas para se comunicar, usar a imaginação e comportar-se de modo mais flexível, explorado reações de modo mais criativo e acolhedor. Desse modo, a partir de atividades de musicalização, propõe-se excelentes condições para o desenvolvimento de habilidades cotidianas, tanto relacionais, quanto da capacidade de improviso.

    A musicalização pode proporcionar ainda alguns instrumentos para transmitir e compreender linguagens simbólicas, verbais ou não, tão necessárias à criança que ocupa o espectro autista. Com a vivência sonora e rítmica dos jogos e brincadeiras, pode dar mais cores e movimentos ao mundo e a suas relações.

  Sendo a música uma maneira para exteriorizar sentimentos, torna possível compartilhar com o grupo naturalmente a forma como reconhece o mundo, podendo valorizar o que tem de melhor, tendo mais prazer em conviver e em compartilhar experiências enriquecedoras.

   O papel do facilitador desse processo amplia essa experiência, visto que é capaz de buscar sons e ritmos que vão de encontro com os interesses da criança, tornando-a capaz de integrar-se ativamente nas relações, assumindo o cuidado consigo mesma e com o meio, ampliando suas possibilidades de relacionar-se.

 O educador musical apresenta ainda a possibilidade de libertar a criança para novos movimentos, conforme os ritmos dos sons produzidos, diminuindo a presença de estereotipias e fornecendo à criança condições para ampliar seu mapa de mundo e as possibilidades para se movimentar.

  No que se refere à intervenção com fins educacionais, a musicalização é uma ferramenta de maturação em áreas cerebrais relacionadas as habilidades linguísticas, da memória e do processamento, facilitando a compreensão do sentido amplo das palavras, dos gestos influenciando ainda todo o aspecto psicomotor da criança.

O que fazer quando a criança não tem amigos?

Vanessa Gon, Psicóloga

 

     Quantos amigos você tem? E olha que não me refiro a quantos contatos você possui em redes sociais, mas sim com quantas pessoas você realmente pode contar, onde o vínculo recíproco de confiança e identificação ultrapassam barreiras da distância e da rotina. A amizade precisa ser cultivada com afeto e carinho, o que só pode ser feito com seu real desejo e intenção, não é mesmo?

    Porém, não importa quão ampliado seja seu círculo de amizades, mas sim, quanto prazer você tem nessa convivência. Deve ser isso que te preocupa ao pensar em seus filhos, quando percebe que não conseguem fazer amigos.

     Quando falamos dos amigos de infância, sempre vinculamos nossas lembranças àquelas pessoas que estavam conosco nas brincadeiras e com as quais compartilhamos momentos divertidos e prazerosos, e até mesmo de cumplicidade quando fazíamos “arte”.

     As crianças têm facilidade em se aproximar umas das outras e isso ocorre naturalmente em decorrência do próprio ato de brincar, porém, umas são diferentes das outras e é importante que os adultos à sua volta observem a natureza e dinâmica desse brincar.

      Quando identificados comportamentos de retraimento, devemos nos apropriar de estratégias para diluir essas situações tanto na escola quanto em casa, criando um clima seguro e acolhedor, onde cada um possa expor suas opiniões e crenças sem julgamento, e aos poucos, a criança vai se sentindo mais confiante.

       Outra forma de auxiliar é conduzir a criança a parques, playgrounds e festinhas, demostrando como ela pode se aproximar de novos amiguinhos, ensinando-a como convidá-los para brincar. Com isso, você a ajuda a criar um modelo mental para se aproximar em ocasiões posteriores. Faça isso de várias maneiras, até que ela se identifique com uma delas.

     Também é possível convidar coleguinhas para frequentar sua casa para momentos de brincadeiras, lanches da tarde, contação de histórias, trabalhosatividades escolares, ajudando-a no processo de aproximação.

      Existem também as crianças que, desde muito cedo, são introspetivas, que demonstram sua criatividade e alegria ficando a maior parte do tempo sozinhas, gostam de se relacionar e brincar mas preferem um tempo maior imersas em seus pensamentos e sentimentos, compreendendo seu mundo e recarregando suas baterias. Elas não resistem a convivência, mas preferem um tempo maior sozinhas e não há problema algum nisso.

      Além das duas situações, temos uma série de outras que interferem na habilidade em relacionar-se apresentada pela criança, uma delas é a fobia social, onde há presença de medo extremo e uma série de reações fisiológicas apenas por pensar em socializar.

      Nesses casos, é fundamental o acompanhamento psicológico, além de ações conjuntas entre a escola e a família, fato também necessário, quando tratamos de situações em que a criança têm demasiada dificuldade em ser empática e de se colocar no lugar do outro, agindo de modo hostil.

     Existem diversas opções para auxiliar crianças no desenvolvimento de habilidades sociais que vão desde processos terapêuticos em grupo, até atividades extracurriculares onde a criança possa brincar, conviver e se expressar da melhor maneira possível. Apenas evite aulas de piano e de natação, visto que estas contam com desempenho individual e há baixa interação social.

    Vale lembrar que sofrer por não conseguir conviver ou pela forma de conviver, não é uma opção favorável ao desenvolvimento infantil e sempre provoca impactos na adolescência e na vida adulta, afinal de contas, existem tantas possibilidades disponíveis, não é mesmo?

O que torna a gratidão tão importante na vida de uma criança?

Vanessa Gon, Psicóloga

     Atravessando os limites das palavrinhas mágicas, “por favor” e “obrigada”, a gratidão extrapola as regras da boa educação, trata-se diretamente da apreciação pelo que temos e a gostosa sensação que nos preenche por ser quem somos.

      Gratidão é o otimismo diante da vida e a contemplação daquilo que se tem, é viver em um estado que nos afasta de pensamentos amargurados, da inveja e do ressentimento, pois podemos reconhecer nossos dons, habilidades, potencialidades, facilidades e conquistas, nos tornando mais motivados para a vida, visto que nossa perspectiva da realidade vivenciada possibilita isso.

      As crianças são sempre lembradas sobre a importância de lidarem com o medo, a ansiedade, as relações sociais, a raiva, a hiperatividade ou a falta de atenção, porém, poucas vezes são convidadas a refletir sobre sua postura diante da vida.

      Você já agradeceu o que está à sua volta hoje? O que você pode aprender de bom com suas vivências? Ao ensinar a gratidão para crianças, possibilitamos aprendizados como respeito e admiração pelas experiências, pelas pessoas e pelo mundo em que que vivem, assim como condições para compreender os resultados de uma situação.

      Com isso, nosso maior desafio é observar nossa experiência pessoal e avaliar: Quanto de gratidão coloco em meu dia? Que parcela cerebral diária ocupo com a gratidão ao que sou e ao que tenho? Lembre-se: a criança também aprende pelo exemplo!

     Por vezes, ao analisarmos nossos pensamentos e comportamentos, constataremos que esquecemos de dar valor e sermos gratos ao que existe em nossa vida, e percebemos que somos os queixosos da segunda-feira, do clima, do trabalho, da família, etc., demonstrando aos nossos pequeninos que não temos o suficiente para sermos felizes.

     E então, como poderão desenvolver a gratidão? Existem várias formas, encontre a sua e apenas experimente! Olhe ao seu redor e ao entardecer liste pelo menos 03 acontecimentos positivos do seu dia, desde os mais grandiosos até os menos perceptíveis e os contemple, por um curto período de tempo. Você rapidamente perceberá o bem-estar e as mudanças fisiológicas provocadas, na respiração, na pulsação e no seu semblante, por ter recebido das pessoas, de si mesmo e da vida inúmeras dádivas.

    Visto que a gratidão gera afeto, bem-estar, tranquilidade e interfere em sua motivação para vida e autoestima, nada melhor do que provocar essas boas sensações praticando a gratidão com seus pequeninos! Eles ficarão gratos por isso, assim como estou por você me acompanhar nessa reflexão.