Posts Tagged ‘família’

Autoconceito, Infância e PNL

Vanessa Gon

Psicóloga

       O autoconceito de uma criança vai sendo construído a partir do que ouve falar sobre ela, da imagem que vê refletida nos olhos dos adultos e pela forma como se sentem sobre si mesmas, e assim, começam a constituir sua identidade.

          Para auxiliar na construção de um conceito de si próprio mais nítido e baseado em dados de realidade, devemos estar atentos acerca da forma como nos comunicamos com a criança, a qual se torna elemento fundamental para a construção de crenças que limitam suas possibilidades e prejudicam seu autoconceito positivo.

      Alguma vez você já acompanhou uma mãe dizer que seu filho “é bagunceiro”? Tal afirmação se refere à identidade desta criança, ao que ela é, sendo assim, fará de tudo para agir desta maneira e provar que sua mãe está certa.

      Partindo dessa concepção, é importante separar o comportamento (o que a criança faz), de sua identidade (quem ela é). Veja como facilitar a construção de um autoconceito positivo agregado a uma necessidade de mudança de comportamento: “Você deixou seus brinquedos bagunçados (ação/ comportamento), se recorda de como fica melhor quando estão organizados? Você deixa tão organizadas suas roupas! Consegue deixar os brinquedos também? Vamos organizar? ”.

   Percebe o quanto a primeira afirmação é diferente da segunda? Na segunda situação, a criança percebe os resultados de suas ações, recebe um comparativo com o melhor que ela pode ser, tem um mapa de como fazer para organizar seus brinquedos, assim como fez com as roupas e ainda tem preservado seu autoconceito e identidade.

      De acordo com a Programação Neurolinguística, nós podemos ajudar crianças a programar a forma com veem o mundo e como se percebem nele.

      Apenas altere seu padrão de comunicação, baseando-se no que objetivamente ocorre e nas evidências existentes, pois você é capaz dizer o que mais lhe agrada nos comportamentos de seu filho, mantendo preservada a imagem positiva de quem ele é.

O que fazer quando a criança não tem amigos?

Vanessa Gon, Psicóloga

 

     Quantos amigos você tem? E olha que não me refiro a quantos contatos você possui em redes sociais, mas sim com quantas pessoas você realmente pode contar, onde o vínculo recíproco de confiança e identificação ultrapassam barreiras da distância e da rotina. A amizade precisa ser cultivada com afeto e carinho, o que só pode ser feito com seu real desejo e intenção, não é mesmo?

    Porém, não importa quão ampliado seja seu círculo de amizades, mas sim, quanto prazer você tem nessa convivência. Deve ser isso que te preocupa ao pensar em seus filhos, quando percebe que não conseguem fazer amigos.

     Quando falamos dos amigos de infância, sempre vinculamos nossas lembranças àquelas pessoas que estavam conosco nas brincadeiras e com as quais compartilhamos momentos divertidos e prazerosos, e até mesmo de cumplicidade quando fazíamos “arte”.

     As crianças têm facilidade em se aproximar umas das outras e isso ocorre naturalmente em decorrência do próprio ato de brincar, porém, umas são diferentes das outras e é importante que os adultos à sua volta observem a natureza e dinâmica desse brincar.

      Quando identificados comportamentos de retraimento, devemos nos apropriar de estratégias para diluir essas situações tanto na escola quanto em casa, criando um clima seguro e acolhedor, onde cada um possa expor suas opiniões e crenças sem julgamento, e aos poucos, a criança vai se sentindo mais confiante.

       Outra forma de auxiliar é conduzir a criança a parques, playgrounds e festinhas, demostrando como ela pode se aproximar de novos amiguinhos, ensinando-a como convidá-los para brincar. Com isso, você a ajuda a criar um modelo mental para se aproximar em ocasiões posteriores. Faça isso de várias maneiras, até que ela se identifique com uma delas.

     Também é possível convidar coleguinhas para frequentar sua casa para momentos de brincadeiras, lanches da tarde, contação de histórias, trabalhosatividades escolares, ajudando-a no processo de aproximação.

      Existem também as crianças que, desde muito cedo, são introspetivas, que demonstram sua criatividade e alegria ficando a maior parte do tempo sozinhas, gostam de se relacionar e brincar mas preferem um tempo maior imersas em seus pensamentos e sentimentos, compreendendo seu mundo e recarregando suas baterias. Elas não resistem a convivência, mas preferem um tempo maior sozinhas e não há problema algum nisso.

      Além das duas situações, temos uma série de outras que interferem na habilidade em relacionar-se apresentada pela criança, uma delas é a fobia social, onde há presença de medo extremo e uma série de reações fisiológicas apenas por pensar em socializar.

      Nesses casos, é fundamental o acompanhamento psicológico, além de ações conjuntas entre a escola e a família, fato também necessário, quando tratamos de situações em que a criança têm demasiada dificuldade em ser empática e de se colocar no lugar do outro, agindo de modo hostil.

     Existem diversas opções para auxiliar crianças no desenvolvimento de habilidades sociais que vão desde processos terapêuticos em grupo, até atividades extracurriculares onde a criança possa brincar, conviver e se expressar da melhor maneira possível. Apenas evite aulas de piano e de natação, visto que estas contam com desempenho individual e há baixa interação social.

    Vale lembrar que sofrer por não conseguir conviver ou pela forma de conviver, não é uma opção favorável ao desenvolvimento infantil e sempre provoca impactos na adolescência e na vida adulta, afinal de contas, existem tantas possibilidades disponíveis, não é mesmo?

O que torna a gratidão tão importante na vida de uma criança?

Vanessa Gon, Psicóloga

     Atravessando os limites das palavrinhas mágicas, “por favor” e “obrigada”, a gratidão extrapola as regras da boa educação, trata-se diretamente da apreciação pelo que temos e a gostosa sensação que nos preenche por ser quem somos.

      Gratidão é o otimismo diante da vida e a contemplação daquilo que se tem, é viver em um estado que nos afasta de pensamentos amargurados, da inveja e do ressentimento, pois podemos reconhecer nossos dons, habilidades, potencialidades, facilidades e conquistas, nos tornando mais motivados para a vida, visto que nossa perspectiva da realidade vivenciada possibilita isso.

      As crianças são sempre lembradas sobre a importância de lidarem com o medo, a ansiedade, as relações sociais, a raiva, a hiperatividade ou a falta de atenção, porém, poucas vezes são convidadas a refletir sobre sua postura diante da vida.

      Você já agradeceu o que está à sua volta hoje? O que você pode aprender de bom com suas vivências? Ao ensinar a gratidão para crianças, possibilitamos aprendizados como respeito e admiração pelas experiências, pelas pessoas e pelo mundo em que que vivem, assim como condições para compreender os resultados de uma situação.

      Com isso, nosso maior desafio é observar nossa experiência pessoal e avaliar: Quanto de gratidão coloco em meu dia? Que parcela cerebral diária ocupo com a gratidão ao que sou e ao que tenho? Lembre-se: a criança também aprende pelo exemplo!

     Por vezes, ao analisarmos nossos pensamentos e comportamentos, constataremos que esquecemos de dar valor e sermos gratos ao que existe em nossa vida, e percebemos que somos os queixosos da segunda-feira, do clima, do trabalho, da família, etc., demonstrando aos nossos pequeninos que não temos o suficiente para sermos felizes.

     E então, como poderão desenvolver a gratidão? Existem várias formas, encontre a sua e apenas experimente! Olhe ao seu redor e ao entardecer liste pelo menos 03 acontecimentos positivos do seu dia, desde os mais grandiosos até os menos perceptíveis e os contemple, por um curto período de tempo. Você rapidamente perceberá o bem-estar e as mudanças fisiológicas provocadas, na respiração, na pulsação e no seu semblante, por ter recebido das pessoas, de si mesmo e da vida inúmeras dádivas.

    Visto que a gratidão gera afeto, bem-estar, tranquilidade e interfere em sua motivação para vida e autoestima, nada melhor do que provocar essas boas sensações praticando a gratidão com seus pequeninos! Eles ficarão gratos por isso, assim como estou por você me acompanhar nessa reflexão.