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Autoconceito, Infância e PNL

Vanessa Gon

Psicóloga

       O autoconceito de uma criança vai sendo construído a partir do que ouve falar sobre ela, da imagem que vê refletida nos olhos dos adultos e pela forma como se sentem sobre si mesmas, e assim, começam a constituir sua identidade.

          Para auxiliar na construção de um conceito de si próprio mais nítido e baseado em dados de realidade, devemos estar atentos acerca da forma como nos comunicamos com a criança, a qual se torna elemento fundamental para a construção de crenças que limitam suas possibilidades e prejudicam seu autoconceito positivo.

      Alguma vez você já acompanhou uma mãe dizer que seu filho “é bagunceiro”? Tal afirmação se refere à identidade desta criança, ao que ela é, sendo assim, fará de tudo para agir desta maneira e provar que sua mãe está certa.

      Partindo dessa concepção, é importante separar o comportamento (o que a criança faz), de sua identidade (quem ela é). Veja como facilitar a construção de um autoconceito positivo agregado a uma necessidade de mudança de comportamento: “Você deixou seus brinquedos bagunçados (ação/ comportamento), se recorda de como fica melhor quando estão organizados? Você deixa tão organizadas suas roupas! Consegue deixar os brinquedos também? Vamos organizar? ”.

   Percebe o quanto a primeira afirmação é diferente da segunda? Na segunda situação, a criança percebe os resultados de suas ações, recebe um comparativo com o melhor que ela pode ser, tem um mapa de como fazer para organizar seus brinquedos, assim como fez com as roupas e ainda tem preservado seu autoconceito e identidade.

      De acordo com a Programação Neurolinguística, nós podemos ajudar crianças a programar a forma com veem o mundo e como se percebem nele.

      Apenas altere seu padrão de comunicação, baseando-se no que objetivamente ocorre e nas evidências existentes, pois você é capaz dizer o que mais lhe agrada nos comportamentos de seu filho, mantendo preservada a imagem positiva de quem ele é.

Os benefícios da musicalização para crianças com autismo

Vanessa Gon, Psicóloga

   Você já percebeu como a música aproxima as pessoas, desperta expressões espontâneas, sensibiliza e resgata emoções e sensações, além de provocar uma série de registros mentais importantes na vida de cada um de nós? Recorde-se de sua música favoritaa que ela te conecta? E uma música triste, te deixa como? Que músicas que são relaxantes para você?

    A música produz grande impacto em nossas vidas e é uma das poucas atividades que envolve todo o cérebro e coloca em evidência os cinco sentidos, auxiliando na criação de experiências emocionais multissensorais positivas e profundas.

  Enquanto processo complementar ao desenvolvimento de crianças, sob forma de musicalização, os sons extrapolam as barreiras da diversão, pois estimulam a realização do movimento, a organização do pensamento, favorecendo a interação social, sem cobrança alguma sobre desempenho ou rendimento, se torna a expressão natural de cada um, com muito respeitoliberdade.

   Crianças que ocupam o espectro autista, precisam de condições específicas para se comunicar, usar a imaginação e comportar-se de modo mais flexível, explorado reações de modo mais criativo e acolhedor. Desse modo, a partir de atividades de musicalização, propõe-se excelentes condições para o desenvolvimento de habilidades cotidianas, tanto relacionais, quanto da capacidade de improviso.

    A musicalização pode proporcionar ainda alguns instrumentos para transmitir e compreender linguagens simbólicas, verbais ou não, tão necessárias à criança que ocupa o espectro autista. Com a vivência sonora e rítmica dos jogos e brincadeiras, pode dar mais cores e movimentos ao mundo e a suas relações.

  Sendo a música uma maneira para exteriorizar sentimentos, torna possível compartilhar com o grupo naturalmente a forma como reconhece o mundo, podendo valorizar o que tem de melhor, tendo mais prazer em conviver e em compartilhar experiências enriquecedoras.

   O papel do facilitador desse processo amplia essa experiência, visto que é capaz de buscar sons e ritmos que vão de encontro com os interesses da criança, tornando-a capaz de integrar-se ativamente nas relações, assumindo o cuidado consigo mesma e com o meio, ampliando suas possibilidades de relacionar-se.

 O educador musical apresenta ainda a possibilidade de libertar a criança para novos movimentos, conforme os ritmos dos sons produzidos, diminuindo a presença de estereotipias e fornecendo à criança condições para ampliar seu mapa de mundo e as possibilidades para se movimentar.

  No que se refere à intervenção com fins educacionais, a musicalização é uma ferramenta de maturação em áreas cerebrais relacionadas as habilidades linguísticas, da memória e do processamento, facilitando a compreensão do sentido amplo das palavras, dos gestos influenciando ainda todo o aspecto psicomotor da criança.

O que torna a gratidão tão importante na vida de uma criança?

Vanessa Gon, Psicóloga

     Atravessando os limites das palavrinhas mágicas, “por favor” e “obrigada”, a gratidão extrapola as regras da boa educação, trata-se diretamente da apreciação pelo que temos e a gostosa sensação que nos preenche por ser quem somos.

      Gratidão é o otimismo diante da vida e a contemplação daquilo que se tem, é viver em um estado que nos afasta de pensamentos amargurados, da inveja e do ressentimento, pois podemos reconhecer nossos dons, habilidades, potencialidades, facilidades e conquistas, nos tornando mais motivados para a vida, visto que nossa perspectiva da realidade vivenciada possibilita isso.

      As crianças são sempre lembradas sobre a importância de lidarem com o medo, a ansiedade, as relações sociais, a raiva, a hiperatividade ou a falta de atenção, porém, poucas vezes são convidadas a refletir sobre sua postura diante da vida.

      Você já agradeceu o que está à sua volta hoje? O que você pode aprender de bom com suas vivências? Ao ensinar a gratidão para crianças, possibilitamos aprendizados como respeito e admiração pelas experiências, pelas pessoas e pelo mundo em que que vivem, assim como condições para compreender os resultados de uma situação.

      Com isso, nosso maior desafio é observar nossa experiência pessoal e avaliar: Quanto de gratidão coloco em meu dia? Que parcela cerebral diária ocupo com a gratidão ao que sou e ao que tenho? Lembre-se: a criança também aprende pelo exemplo!

     Por vezes, ao analisarmos nossos pensamentos e comportamentos, constataremos que esquecemos de dar valor e sermos gratos ao que existe em nossa vida, e percebemos que somos os queixosos da segunda-feira, do clima, do trabalho, da família, etc., demonstrando aos nossos pequeninos que não temos o suficiente para sermos felizes.

     E então, como poderão desenvolver a gratidão? Existem várias formas, encontre a sua e apenas experimente! Olhe ao seu redor e ao entardecer liste pelo menos 03 acontecimentos positivos do seu dia, desde os mais grandiosos até os menos perceptíveis e os contemple, por um curto período de tempo. Você rapidamente perceberá o bem-estar e as mudanças fisiológicas provocadas, na respiração, na pulsação e no seu semblante, por ter recebido das pessoas, de si mesmo e da vida inúmeras dádivas.

    Visto que a gratidão gera afeto, bem-estar, tranquilidade e interfere em sua motivação para vida e autoestima, nada melhor do que provocar essas boas sensações praticando a gratidão com seus pequeninos! Eles ficarão gratos por isso, assim como estou por você me acompanhar nessa reflexão.